"Cool is the new Tao", ou seja, se você tenta, você não é, seu lemming. Sessenta e duas mil repetições três vezes ao dia, seus artistes, e quem sabe um dia vocês aprendam. _Elton
Nome : Fluo Idade : 24 Métier : Hostess Groove : Gabba, darkstep, dhc, eletronica & outros breaks
malvados Tóxicos : Derby, sampoerna Mods : Nah. Dói pra caralho DJ : Traffik Produtor : Alec Empire Grafista : H. R. Giger Filme : Videodrome Anime : GitS, Lain Comic : JtHM Livro : Naked Lunch Shitlist : Drum'n'bass com bossa nova, hypes, mantras,
incenso, rodinhas de violão, 80s revival, injeção,
poesia marginal, Jorge Ben, happy-house, tech-house, prog-house,
dark-house, funk-house, disco-house, house-house, house
Hoje é dia de fechar o boteco. Queria ter aproveitado melhor essa última semana, tanta coisa pra falar, mas Murphy foi contra. Foda-se. Meu serviço por aqui acabou, darlings. Espero que vocês tenham se sentido incomodadas.
Eu? Ano que vem a Paróquia volta a funcionar e eu ganho uma ocupação permanente nos portões do paraíso. Que paga muito melhor, cá entre nós.
O Mulher do Padre ainda fica aqui por mais um tempo. Digamos, até o dia de reis. Depois, deve virar cinema pornô ou coisa que valha.
No mais, talvez a gente se esbarre em alguma pista por aí. Torçam para que não.
Summertime
If we shadows have offended,
think but this, and all is mended:
that you have but slumber’d here,
while these visions did appear.
And this weak and idle theme,
no more yielding than a dream,
gentles – do not reprehend.
If you pardon – we will mend.
Auditora aê Ricardo Sá conseguiu um bônus de 78 mil na Lei Rubem Braga.
Aperte com força o seu patuá, darling. Sangue de Jesus tem poder. : Fluo @ 23:46 +
Owning local media Ah, a badalação. Depois que o serviço de tele-evangelia da Paróquia ganhou medalhinha no 10º Vitória Cine Vídeo, as coisas mudaram um bocado por aqui. Pra começar, a CPU subiu no telhado. Depois, a grande mídia resolveu abrir espaço para os desafetos me detratarem. Fodam-se.
Vou transcrever a mesa redonda na íntegra, inclusive as partes onde fui escrotamente censurada. E olha que eu tentei ser dócil. Mas só vou salvar vocês das piores piadas da jornalista porque estamos no Natal. Cheers.
Jay Gatsby - Quais são suas principais influências, além da Erika Palomino, é claro?!
Meu mentor no ramo é São Pedro, todo-poderoso host do Paraíso. Tem também o lorde Henry – ele sim sabe o que é ofender com classe. E o Elton, por supuesto.
Erika Calombinho - Da ceninha capixaba, quem você colocaria na categoria de descolados-hypes-obscenos da moda?
Como assim? Você diz, no topo do pódio? Quantas laudas você me dá pra isso? [ risos – engasga – tosse tosse tosse ]
Sei lá, escreve aí “todos”. Inclusive eu, você e os altos funcionários do Estado.
Mirabölica Produções - Você, como uma avant-gard das produções audiovisuais, poderia me explicar como foi premiada com uma animação mixuruca em flash?
Você está trocando as bolas, darling. Eu não faço vídeos, nem desejo esse mal para ninguém. Meu trabalho é hosting. Repita comigo: hos-TING. A tele-evangelia fica por conta da assessoria de imprensa da Paróquia.
Mas, se querem mesmo saber minha opinião (e eu sei que querem, corja de masoquistas), olha, eu acho que ganhou porque o juri foi indulgente. Nivelando por baixo, naquelas de “é capixaba, coitadinho”. Menção honrosa? Por favor, né? É muita vontade de dar prêmio.
Mal sabem eles o monstro que criaram. Desde o último sábado que o reverendo está trancado no confessionário, em estado cataléptico [ imita catalepsia ], berrando ocasionalmente que eles viram, eles viram a luz. Ele acha que, se uma vinheta de 48 segundos fez tanto sucesso, com cinco minutos a gente ganha o Oscar.
Arnardo Jaboti – A produção audiovisual capixaba é incompreendida ou incompetente?
A produção audiovisual capixaba é curto-circuitada. Veja o cinema, por exemplo. Repare nos créditos de quaisquer curtas locais, e você vai ver que é pura análise combinatória. As pessoas ficam brincando de escravos de Jó nos filmes uns dos outros.
Nada contra, vocês que são pessoas reais que se entendam. Mas o incesto tende a gerar uns bebês deformados, sabe? E pode ser um problema, quando você se importa mais em ter um produto do que realmente produzir.
Clodovil - Querida, olhe para lente da verdade e responda: você é uma nerd-hiponga que tira onda de descolada?
Darling, eu não sou hippie nem dançando psytrance. Quando me contratam pra isso.
Gimu - Todos já presenciaram a senhorita balançando as madeixas em vários shows por aí. E pior, em êxtase.
Ora, é um serviço como qualquer outro. E, cá entre nós, muito mais digno do que roubar, vender bala no Transcol ou parasitar as leis de incentivo à cultura.
Te juro, não dá mais pra viver de hosting de igreja, não. Ainda mais no meio dessa Sodoma de gente sem fé. É o gogo-dancing que tem fechado minhas contas. Animo pista, gig, live pa e festa infantil. Interessou? Manda um email que a gente acerta o preço.
E, se eu pareço feliz, é pra mostrar pra vocês que a parada é profissional. Não se iluda, darling: fingir prazer é bizzness. Um bizzness bem difícil, por essas bandas, mas a gente agüenta.
Gimu - Por que a predileção por detonar tudo e todo mundo?
É mais higiênico. Próxima pergunta.
Sanny Lys - O que você produz melhor: veneno ou rebolado?
Rá. Você fala assim porque nunca me viu cozinhar.
Pesquisadores do Butantã - Qual o antídoto para o seu veneno? Pelo jeito, a ciência também é incompetente...
... e o jornalismo não vai muito atrás. : Fluo @ 23:33 +
Não ter coquetel de abertura, vá lá. Não passar um longa a cada dia, tudo bem. Deixar entrar na festa qualquer zé povinho que pague 20 reais, a gente agüenta.
Agora, Sabotagem da Moqueca Real ao vivo - putaquepariu, tudo tem limite! : Fluo @ 22:02 +
Domingo, Dezembro 07, 2003
Zorra Total
Folheando a Avulso 02, o que mais assusta é que os textos sejam sérios. Fora uma ou outra panfletagem neo-situacionista, a babaquice usual, a revista é acadêmica. Mas não por isso menos infame.
sugestões e críticas mandem para xxxx@xxx.xxx... mas aviso: não temos tanto sac (serviço de atendimento ao consumidor) para ler asneiras, ok?
A vanguarda é despojada. Ela escreve textos acadêmicos sem se importar com referências ou formas de contato, porque isso é coisa do establishment e o trabalho do artista é provocar. O coletivo Dissidência, por exemplo, divulga seu email assim: xxxxxxxx@hotmail.com (ou com.br, esqueci, tenta os 2: são possibilidades.).
Isso porque eles, ao contrário de meros mortais como eu e a querida leitora, estão sempre ocupados com o sublime. A vanguarda, mesmo antes de se formar, já está se higienizada das coisas mundanas: Transformemo-nos! Cito aqui os versos de um poeta moderno, não recordo seu nome. Querendo, me processem.
Isso também mostra outra característica marcante da vanguarda, que é a vontade de tomar processo - como se fosse uma espécie de atestado de anarquismo. Enquanto isso, ela faz a revolução da vida cotidiana roubando as piadas infames de uma enciclopédia de bolso e publicando no lugar do editorial.
Aliás, roubando não, darling. A vanguarda não rouba. A vanguarda se apropria.
Mas, cá entre nós, neguinho só acha essa promiscuidade criativa bonita até chegar alguém e fazer um remix funk de suas faixas inéditas. Aí que eu quero ver manter a pose, darling.
Trapahotel
Não por acaso, há um doutor em semiótica envolvido na publicação desse panfleto. O dr. Didico fecha a revista com um artigo onde defende o estreitamento entre o lúdico e o aprendizado acadêmico - pelo visto, a começar pelo seu próprio nome. Misericóridia. : Fluo @ 20:29 +
Sexta-feira, Dezembro 05, 2003
Much ado about nothing
E ontem foi dia do badalado lançamento do segundo volume da Avulso, num estabelecimento cabuloso da Praia do Canto. De arte, vejam só.
A revista mudou, darling. Se o primeiro volume parecia um portfolio macisso, esse não passa de um tímido bloquinho de anotações. Umas trinta folhinhas grampeadas. Pelo esgotar do orçamento, a próxima edição vai ser uma folha de ofício dobrada em quatro.
Pelo menos dá pra ler. Não que seja uma vantagem, mas enfim. Isso eu comento depois, porque a noite rendeu assunto. Antes que batesse as doze, as cinderelas saíram correndo do lançamento pra pegar um 40% off no show da terrorturbo, ali na esquina.
O pop se come, se lambe, e vai dormir sem escovar os dentes
Quatro meses para se recuperar da última e a banda ainda não resolveu seu problema de ejaculação precoce. Aquela ânsia de fazer barulho, darling. A diva se esgoela e os instrumentos vão cada um para o seu lado. Texturas? Isso pra mim é vontade de tocar Rush.
Além do inevitável problema nos equipamentos, que já é quase um quinto (ou sexto?) integrante do grupo. O que é show da terrorturbo sem problema nos equipamentos? Dorival Caymmi.
Minha sugestão? Desistam desse negócio de show e invistam no virtual, darlings. Porque, cada vez mais, a terrorturbo só parece uma banda de verdade em arquivos de mp3.
Give me a reason to be a woman
Mas nem tudo foi desperdício. A grande graça do show foi o debut da alta funcionária pública Nana Bonzana na banda.
Nana, atrás dos teclados, faz tanto quanto na coordenação de música do Estado – ou seja: rebola. Ou melhor, patina. E às vezes manda umas programações, devidamente copiadas de seu caderninho de colas.
Até aí tudo bem. Seis por meia dúzia, ninguém sai no prejuízo. Agora, colocar a menina no microfone, benzadeus, é muita vontade de ser vanguarda. Assim vocês deixam a platéia constrangida.
Ou então aposentem de vez o Gimu – porque, em matéria de diva deslumbrada, Nana massacra o alegre mancebo com força e gosto de gás.
Programação alternativa
Se eu soubesse que tava passando Blood no barzinho, não teria perdido um minuto na pista. : Fluo @ 01:23 +